Mais vale um minuto na net, que três a voar…

Caminhando pela cidade, deambulando rua após rua. Por vezes em sentido contrário, outras mesmo pelo meio da estrada, mas na maior parte das vezes só pelo passeio. Não caminho como artista, talvez mais como um meio termo entre turista e um cidadão local. No silêncio da performatividade que levo a cabo, sem entrar em conflito com o cidadão que há em mim, procuro um olhar descomprometido, comum, sem autenticidade, como se pudesse ser anti-estético. Pode sê-lo? Sem características estéticas, que não induza uma experiência, quer vivida quer por viver. Tal coisa existe? Vida sem amor, amor sem vida, experiência sem estética e estética sem experiência? Voltemos ao início. Caminhava eu, e eles também, diariamente pelas artérias da cidade. Procurando não sei bem o quê, mas procurando encontrar exatamente esse “quê” que faria a diferença no meu dia, nesse dia, e possivelmente no de alguém além de mim. Na verdade éramos seis, ou quatro, nunca soube quem fez o quê ao certo, mas fomos nós.

Quadrado perfeito, ou, uma imperfeição ao quadrado. Quadrangularmente, quatro de cinco. Quinteto de quartas. Quarta de quarto. Quadrante de nove quartos. Possibilidade linguística de ser, quatro em cada um. Seremos de facto um em cada um, ou quatro em cada quatro? Razão divisível em quartos. Quantos quartos tem esta quarteira? Somos só nós os quatro? Nunca pretendemos vulgarizar a arte, nem artisticisar (estetizar) a vida quotidiana.  Além do mais, nunca o poderíamos fazer. A vida quotidiana já é estética por si, e a arte, na mesma medida, vulgar.

O que é de facto único são os intervenientes e como é que estes atuam, que tipo de ligações criam ou evidenciam. A contemplação não é um dom do espectador, nem de alguém capaz de tornar algo contemplativo, ou desse mesmo algo.

O que antes era um minuto, hoje é vulgar. Isso até eu fazia! Dependendo do ensaio do gesto, pode-se realizar uma ilusão ou iludir a realidade. A vantagem é poder contemplar, as camélias e as papoilas, sem ser necessário perder tempo. Início para um longa conversa. Tens um minuto? Contemplar o quotidiano num minuto é tão inútil como necessário.

Contemplamos o espaço público através da concretização de uma performance social e geoestratégica, performatividade do ato de andar, olhar e escolher, de filmar.

Percorremos com o corpo e com o olhar, particulares recantos das três cidades. Lugares conhecidos, lugares por conhecer.

Porque hoje pode ser domingo. O calor da memória fria é tão doce como um domingo de inverno. Tamanha sensação só é permitida nos dias que deixam de correr. Cada parte da partida fragmentação semanal, como um corpo dócil sem órgãos, traduz-se numa familiaridade revelada falsa nos meses sem r. Domingar é como ir de férias, tudo é diferente, até a linguagem. Não se fazem revoluções ao domingo.

O domingo é dia de família. É um dia familiar. Não quero mais domingos na vida. Se todos dos dias forem domingo, os domingos acabam. Dias de praia, almoços intermináveis, idas ao museu, concertos, desportos variados e outras atividades, até mesmo procrastinar. Porque não os consideramos trabalho? Não faz andar a economia? Não se produz riqueza? E a cidadania, cultura, tradições, alguém terá de as produzir.

Cada cidade, cada mar. Cidades mar, um mar de cidades. Velejar a cidade é perigoso, pode-se colidir com um icebergue artístico e afundar num mar de objetos flutuantes no tempo. O tempo é como o vento, ora veloz, ora suspenso. Uma cidade sem tempo é como um mar sem vento. É preciso resistir ao enjoo no mar como ao paúlismo em terra. Ambos são fatais quando negligenciados. A arte é uma forma de resistência. Arte à vista!

Arquivo este reportório de forma aleatória. Este documento não existe. Pode-se mediar qualquer parte alterando a ordem, a sua combinatória. Mas não façamos confusões, cuidado com as imitações, este é um não-documento original, autêntico.

Ainda há futuro? Bom em Portugal talvez não. O dinheiro sumiu, o emprego sumiu, a educação está a sumir, a saúde não é para todos, a cultura acabou.

Se o amanhã não chegar, deixo-te isto. É uma coisa que não existe entre as coisas. Não é visível embora esteja sempre presente. Já não atua mas flutua. Não tem princípio nem fim. Submerge e emerge quando lhe convém. Age duas vezes, numa dupla exceção, nem público nem privado, nem real nem virtual. Neste mundo nada é velho, nada é novo. Já tudo foi vivido, mas ainda há futuro. É não estar num lugar estando. É como um fogo que arde sem se ver.

Encontraremos a nossa voz no vazio da noite fria em tempos de crise? A crise que já nasceu comigo, contigo, connosco, com eles. As noites foram tenebrosas, escuras, mais escuras que o normal. Nem o fogo das nossas paixões sobrevive a este clima.

Todos os dias não são noites. É como se fosse diariamente o quotidiano. Acontece como um processo artístico alter-moderno. Posso desenhá-lo em qualquer caderno, escolho não o fazer, atuo mentalmente. O quotidiano não é novo nem recente, tem um antecedente, parente de outro tempo. Hoje o dia nasceu habitualmente, com o mesmo sol de sempre. A noite virá atempadamente e poderá trazer consigo o luar. Só quero estar em nenhum lugar.

O sabor do vento frio de fevereiro, não é ainda florido como o de março. Sabe-se, pouco a pouco que o tempo anda relativamente aparente. Fevereiro um mês que não é igual. Não se assemelha nem a sim mesmo. Cabem menos minutos. Podemos sempre jogar com o tempo. O tempo tem uma condição fictícia. É quase como um provérbio.

O tempo sabe-me a pouco. Esta harmonia aparente está fora de tempo. Procuro na internet uma explicação para este sintoma dissonante. A realidade, entretanto fragmentada, vai dando sinais antitéticos. Insatisfeito, reclamando com a autoridade da sincopa luminosa que se faz sentir, desloquei-me pela cidade fora de tom. Dá tempo ao tempo! Dei, um minuto, mas não meu, pedi um empréstimo. Vira o disco, estás fora de jogo.

Um jogo que nem é real nem virtual. Um jogo que se joga em multilugares, com multijogadores, propiciando uma orquestração multivocal imperfeita, perfeita. A simultaneidade dos atos em multilugares é muitas vezes surpreendente, coincidente. E muitas vezes julgamos estar a dialogar com vozes distintas, sobre lugares distintos, mas acabamos por usar a mesma fonte de linguagem e o mesmo tempo que dura apenas aquele momento. Acabamos por querer e dizer a mesma coisa, por mero acaso ou por deliberada necessidade.

Sento-me no café e nada peço. Escrevendo-me em linhas tortas crio uma linha. Não chego a ser deus das minhas palavras. Calculo mal a ortoépia e a prosódia. Tomo enfim o café, pensativo, frio e involuntário. Recito em silêncio todo o teu vocabulário. Calo-me num estrondo e saio a correr. Aparentemente, revejo-me nos teus passos. Não quero estar no teu lugar. Esta rota está fora de curso. Não paguei, tenho de lá voltar.

A atualidade é um paradoxo da distância. Podemos estar a quilómetros de qualquer lugar e agir nele. Podemos estar em cima do acontecimento e não atuar. Quanto mais perto mais longe. A televisão e a internet acentuam essa potência experiencial do real atual. Se aparecer na televisão ou na internet é porque é verdade, “Google it”.

Em atuação. Acabo de atuar na atualidade. Atualmente atua-se muito menos, que no período homólogo. Parece que a única coisa que ainda atua tanto ou mais é a crise. Atualizar a página do Facebook é um ato atualmente atual. Não aguento com tantas atualidades. Quero atualizar a atualidade com atos atualmente atuais. Fui num ato, volto noutro.

Atualizar o quotidiano requer um determinado conjunto de regras. Primeiro é preciso estar vivo e com relativa saúde. É preciso usar determinados procedimentos e recorrer a determinadas técnicas. Manipular a realidade e o quotidiano está nas mãos de qualquer um, cidadão anónimo, político reputado, professor, todos os agentes da cultura, finança, economia e por aí em diante.

Procedimentos. Diversos momentos e requerimentos. Pode-se proceder assim ou assado, consoante o lado para onde se está virado. Processos e procedimentos, retóricos ou prescritivos. Existem procedimentos para tudo, até para enunciar procedimentos. Um dos procedimentos mais comuns é justamente, tentar fazer com que o outro, proceda de alguma forma. Vou procedendo.

Uma das formas de ativar a atualidade é através do relato. O relato evidencia não só o objeto mas o autor e o espaço decorrente, mesmo que improvisando ou ficcionando. Consequentemente agimos num espaço para outro espaço, num tempo para outro tempo. Ora objectificando essa presença, encenando, ora relatando, narrando, criando ficções. Tudo é espetacular, representação, simulacro.

Depois de improvisar, um texto. O tempo piorou. Chove, cai granizo. Está frio, naturalmente, pois é fevereiro. De certo que não preciso de o relatar, está pelas notícias certamente. Nada é natural, não hoje. Tudo se fabrica, tudo se transforma, tudo é tudo, e tudo é nada. Nada é natural, tudo é espetacular. Até o tempo, ou o clima se preferirem, é produzido. Possivelmente, na China.

Carnavalidades. É o fim das carnes. Nem mascaradas, nem descaradas. Descarna-se a realidade e mostram-se as vísceras da tecnocracia. As ruas enchem-se de foliões, escárnio e mal dizer. Mesmo debaixo de chuva, mesmo com nove graus. Hoje limpam-se as almas e sujam-se as carnes. Libertação, tentação, perdição.

Olhamos para os calendários, agendas, programações. Projetamos, ordenamos por números. Os números são indispensáveis à logística do dia a dia, mesmo para as tarefas mais básicas. É preciso dormir X horas, trabalhar X horas, estar em tal sítio a X horas, por X horas. Deve-se mastigar X vezes, escovar os dentes durante X tempo.

Comemos X calorias, beber X líquidos, andar X tempo, e por aí adiante.

Dia treze. É o décimo terceiro do mês que vai praticamente a meio. Já não há décimo terceiro mês, só duodécimos. Esta metade não é semelhante à outra. Treze, sorte ou azar, comer ou falar, ficar ou andar. Noves fora…treze! Algo está errado, acho que vesti a camisola ao contrário. Cada dia é um dia, hoje são treze.

Mas todos os dias são “dia mundial” de qualquer coisa. Certamente que existem dias que são ao mesmo tempo dia mundial disto e coincidentemente dia mundial de outra coisa, pois num ano normal, não cabem todas as ocasiões que celebramos. Esquecemo-nos normalmente de celebrar diariamente o dia a dia. O quotidiano. O facto de estarmos presentes. Deixamos que o espetáculo do consumo e da memória reinem. Hoje é ontem, nunca amanhã. O amanhã nunca chega a tempo. Dedicamos dias a tudo e a nada, à nação, amor patriótico, democracias, repúblicas e monarquias. À natureza, à mãe e ao pai, aos santos, à medicina, ao corpo fragmentado (coração, diabetes, cancro, pele, etc.), aos astros, aos mitos, às marcas, à cultura, e a todas as outras coisas que não me lembro de citar. Amanhã talvez me lembre, se o amanhã chegar a tempo.

És a mais bela de todas. O nosso amor tem história. Não quero viver sem ti, e apesar dos dias difíceis que me trazes, tudo vale pelo teu brilho e frescura. Acompanhas-me em todos os momentos, dos alegres aos mais tristes. És a verdadeira amiga e conselheira, seja lambreta ou pint, portuguesa ou estrangeira. You’ll always be my valentine! …Querida cerveja.

Quando todos os dias são especiais, quando tudo é espetacularmente especial, quando tudo é bom, quando nada é precioso e realmente preciso, que metas avistamos? Ainda somos autocríticos o suficiente para reconhecer que podemos não chegar lá e que em não chegando temos que reformular as nossas prioridades, ou pelo menos questioná-las? Mas hoje é um dia especial, não é comum, não pertence ao quotidiano, não tem nada de vulgar, vou fugir às rotinas e surpreender-me. Morri.

Chegámos ao meridiano. Daqui até lá é tanto como até aqui. De parte a parte fazemos arte. Cabe-nos olhar, observar e decidir. Escolhendo, realizando e apresentando. Hoje, amanhã e ontem. O aqui e agora, antes e depois. Três cidades. Dois países. Um projeto. Mais vale um minuto na vida.

Quanto vale um minuto? Pela lei do trabalho é pelo menos 0,04€, pelo metrónomo são cento e vinte passos, são entre sessenta a cem batimentos cardíacos. O mais simples é dizer que são sessenta segundos. Quantas ideias cabem num minuto? Um minuto pode ser só um minuto, aquele minuto. Isto já foi um minuto, já não é. Um minuto passa a correr, parece veloz.

Temos pressa? Apresso-me de cá para lá. Chego com a vista onde não chego com a mão. Experiencio mais do que o meu corpo, no teu, nosso. Damos saltos no tempo, mergulhamos no espaço. Mas um espaço que não é de ninguém e de todos ao mesmo tempo. Anónimo e coletivo, rizomático e viral, orquestrado para várias vozes em discordância. Apressadamente acordamos.

A cidade, veloz, fugaz e efémera faz-nos acelerar as ações. Um minuto já não chega para nada, diz-se. Do palácio ao Almada, passa-se o hospital e a cordoaria. Dos clérigos, pelos loios e é só subir. Cruzam-se quatro ruas e chegamos enfim ao destino. Um destino que não é fatal mas imperial. Mas nem todos os destinos são assim, alegres e festivos. Muitos há que se metamorfoseiam e quando não queremos estamos do outro lado da trincheira.

A delicadeza da melancolia. Acordo já repartido, frágil. Encontro-me sempre perto do abismo ao acordar, mas recordo o quão importante é não ficar preso a memórias menores, cheias de palavras irrelevantes como, amo-te. Amanhã posso não chegar a tempo. Continuo sem respostas, aqui deitado, revirando toda a história, mas sem te acordar saio com delicadeza.

Podemos considerar que qualquer encontro pode ser um bom encontro? Na dependência da carência que todos temos, realizamos operações de todos os tipos. Operar o real, é como operar de baixo de água sem o fato apropriado para o deserto. Construímos o mundo à medida dos nossos sonhos.

Sol entre as nuvens. Vai espreitando, vendo as vistas. Banha-nos com a sua luz e foge como se fosse um jogo. Este jogo de luz, cria o clima certo para um cenário bucólico. Passagens, andamentos, vivências, cadências, rubatos e stringendos. As nuvens suas bailarinas, acrobatas, nunca são plenas. Transfiguram-se em si mesmas. Intermitentemente, romanceiam-se.

Quando queremos construir algo, projetamos maior do que a nossa vista, maior que todos os gestos realizados anteriormente. Para depois percebermos que a realidade já lá estava. Que existem forças que não podemos prever nem entender. Forças que não planetárias ou terrenas, são de ordem cósmica, expandem-se para lá do horizonte.

Iguarias. Serpenteiam a boca em mil voltas. Texturas, explosões, amarguras, doçuras, cadruganz e picantes. Para mapear estes sabores é preciso ser como um flâneur na cidade, mas executando manobras de parkur! Béu-béu, béu-béu, que vos saiba bem o pitéu, a todos menos a um. Bem lembrado!

Sentamo-nos todos os dias a uma mesa, da assembleia à tasca, da escola à empresa, do hospital ao tribunal. A nossa experiência diz-nos que o melhor é aceitar, não contestar. Não acredito. Não quero que assim seja, e manifestando-me elimino o silêncio dos meus gestos quotidianos. Dou forma a uma ação, ativo-me por forma a que seja possível dar forma a uma informidade visível mas ilocalizável.

O erro de relvas. Penso logo diploma. Diplomaticamente encerra-se o país. Agiliza-se o orçamento pessoal e autoriza-se o défice de inteligência. Pensar ainda não paga imposto, mas o seu combustível é raro e em vias de extinção. Agudizam-se palestras e comunicações, várias, que tanto falam sobre nada. A democracia está suspensa. Cale-se o silêncio do povo.

Deixamo-nos governar por uma Europa que ninguém sabe onde fica, nem quem a dirige, nem como atua. Sabemos que num dia qualquer, sempre da parte da manhã, más noticias chegam. Apertamos tanto o cinto, que já não sentimos o cinto, só a dureza fria da fivela opressora. Ainda somos portugueses ou somos todos europeus? É que se formos todos europeus, quero que a Berliner Philharmoniker venha tocar à minha cidade. E também quero que nivelemos os ordenados e as leis sobre a cultura e o mecenato. Pretendo que os lucros sejam repartidos por todos, não só as dívidas.

Mas sabemos que isto não se faz da noite para o dia, aliás a única coisa que se faz da noite para o dia é a madrugada.

Esta noite. Foi praticamente em vão. Chegou tarde e partiu cedo. Dei trinta voltas à cama e à cabeça, não me lembro em que direção fui. Acordei de rompante, acordai!!! Mergulhei nos lençóis fingindo não te ouvir, sonhei contigo como se estivesses ali. Mais tarde acabou o sossego. Dei duas voltas ao quarto mas (já) não estavas lá. Que noite foi esta?

Foi numa noite como essa que nos roubaram a liberdade, o sonho. Roubaram-nos as ligações que criámos entre nós. Ainda hoje o fazem, com o mesmo descaramento de outras ditaduras. Que relações ainda podemos criar, manter, estimar, nutrir, partilhar sem que seja tributado algum imposto ou taxa? É em noites como essa, em que a madrugada chegou mais cedo, e não tivemos tempo de evitar o caos da densidade poética da cidade, a desordem dos mercados ainda a abrir, que percebemos que a democracia está moribunda, até tem um cheiro estranho.

Mercadores. Chovem notícias sobre os mercados. Ao contrário do que se tem dito, Portugal preocupa-se com os mercados, os de valores, especulação e exploração de juros e dividendos. Eu juro que nunca fui a um mercado dessa natureza, mas vou aos outros. Nesses mercados, quase abandonados, em extinção, vivem seres e coisas. Não se vende lá arte, nem juros, nem ações, nem dívidas. Eu não sou uma mercadoria!

Uma coisa é certa, de todas as coisas que sonhámos ter conquistado, essa coisa, nunca foi realmente nossa. Não podemos ter a relação. Não podemos dominar a ligação. A relação e a ligação são de ordem polar. Se um dos polos dominar, detiver, manipular, a relação ou a ligação desmorona-se como um castelo de areia varrido pela maré.

Depois da tempestade. Resistimos a tudo e a nada. Entropicamente vamos resistindo. Assistimos impotentemente à passagem do tempo, sistematicamente. A solução é evidência do problema. Tudo se constrói destruindo. Onde o sol queima a neve gela. Ainda assim resistimos. Fazemos arte com qualquer clima. Fazemo-lo por toda a parte, deixamo-la em todo o lado. Depois da tempestade, nada.

Podemos queimar tudo, largar tudo, eliminar tudo, perder tudo. Menos a memória. Pelo menos não voluntariamente. Podemos afirmar que não nos lembramos. Mas um dia essa memoria surgirá nítida e clara no nosso pensamento. Não é o caso. Neste particular, o caso é, podes livrar-te de tudo o que tens, menos dessa memória. No dia que ela te surgir nítida e clara, não lamentarei estares só.

Renascer. Jorge, ser enigmático do submundo artístico, emergiu do seu silêncio para nos brindar com mais uma das suas fugas sem destino. Não tínhamos notícia, não tínhamos obra, não tínhamos sequer ideia. Contagem decrescente, 5, 4, 3, 2…Não tivemos oportunidade de o ver, nem o ouvimos partir. Deixou-nos um mapa, que diz assim, “You ain’t seen me, right?”

Não te vimos. Deves ter passado velozmente pela periferia da ação que não completaste. Como condutor deste processo de descentralização do sujeito e da obra, tomei as medidas necessárias para que tudo se mantivesse em normais funções. Agi claramente de acordo com a ortografia da minha consciência, não encontrei limites.

Longas horas. As horas que se alongam ao sol, contraem-se arbitrariamente. As pedras têm memória de elefante, as horas sofrem de alzheimer. A eternidade esperamos para lá do horizonte atlântico norte. Não entendo de física quântica, mas sinto o movimento da cidade, seu pulsar, sua atualidade diária. Se sei, não é verdade nem mentira. Esperam-nos longas horas ao sol…

A cidade é como um ente anónimo e conhecido de todos os seus habitantes. Tratamo-la por muitos nomes, por muitos adjetivos e reconhecemos os acontecimentos como nossos. Queremos ser parte ativa e de reconhecido mérito nas variadas atividades que nela se desenvolvem. Cartografamos a cidade mentalmente desde o primeiro passo, quer seja a sair de casa, quer seja a chegar pela primeira vez. Instalamo-nos e queremos estar à vontade, sentirmo-nos em casa, acolhidos.

O frio instalou-se. A melhor forma para fugir ao frio é mantermo-nos em andamento. Percorrer as cidades pedonalmente é performar uma ação intrincada. As cidades estão sob a ditadura dos veículos automobilizados. Performo esta cidade que habito, e performando-a incorporo-a. É como se a cidade não tivesse um coração, mas um por cada habitante. Como é o pulsar da tua cidade?

Porque escolhemos esta ou aquela cidade para viver é ainda um mistério. É como tentar desvendar porque nos apaixonamos por determinada coisa, neste caso é um lugar cheio de coisas. É uma coisa que contém em si muitas coisas, e junto a essas coisas outras aparecem e outras desaparecem. Esta coisa, chamada cidade, está em constante transformação, está viva não o podendo estar. Liga e desliga, Eros e Caos.

Papel digital. Ainda usa papel e caneta para pensar. Pensa sobre tudo e sobre nada pensa. Quer deixar de pensar, mas não consegue. É como deixar uma droga dura. Analogicamente exercita a mente, digitaliza o futuro para os que virão. Exposição de 0s e 1s na rede. Uma rede intermodal, serial, transnacional. Todos são cicerones e forasteiros, bandidos e piratas, oficiais e autoridade. As cidades estão a morrer e a WWW?

Para onde fomos. Mesmo separados, estamos juntos. Quando estamos perdidos, procuramos o aconchego dos nossos pares, amores, amigos e companheiros, como insetos. Porque é que nunca chega o tempo? Vinte e oito minutos é quase meia hora! Vinte e oito dias, um mês completo. Fechamos este momento para abrir outro. Por onde fomos e por onde andámos, por razões umas vezes desconhecidas, caminhámos juntos separadamente.

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